Naquim Et cetera
Nós costumávamos sentar naquele sofá grande da sala, cada um de um lado, enquanto ele contava estórias, eu ilustrava elas com meus lápis e tintas enquanto estávamos ali. Quando estávamos totalmente felizes, quando queríamos nos divertir com aquelas estórias, ele fazia poses pra mim, escrevia em uma folha de papel alguma coisa: #chánochápeu?, #avidacomoelaé, #amoresbrutos, #tambemsomosoqueperdemos, #livrosdeareia. Ele usava essas plaquinhas, sempre com um humor duvidoso. Rindo da tristeza. Uma tristeza profunda e antiga que ele não divide comigo. Sei que não divide com ninguém, mas por que não divide comigo? Nós somos tanto... estamos... tanto tempo já. Quase seis anos. Uma vez ele usou as placas sem sorrir, queria nos representar, queria expor aquilo que sentia nessas tardes a dois. Tardes ‘sem depois’. Eu não vi, juro que não vi. O bom humor tinha passado e a tinta escorria no papel. Três pingos de Nanquim. Três pingos de nanquim e uma incontável quantidade de água para tirá-los do chão.
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| Três pingos... só três pingos? |


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